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Ciência e Tecnologia em Portugal

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Visão Geral

O panorama da investigação científica em Portugal transformou-se consideravelmente nos últimos quinze anos. A criação em 1995 do primeiro ministério dedicado à Ciência e à Tecnologia promoveu a definição de uma política assente numa visão estratégica, orientada pela decisão de conferir prioridade elevada à I&D. Este novo contexto contribuiu de sobremaneira para o desenvolvimento do Sistema Científico e Tecnológico Nacional. Salienta-se em particular o reforço das instituições científicas e tecnológicas, que passaram a ter desde 1996 novos modelos interdependentes de avaliação e de financiamento, a institucionalização dos Laboratórios Associados em 1999, existindo actualmente vinte e cinco e, recentemente, a criação da primeira organização científica internacional da Península Ibérica, o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL). Ainda em 1999, começou a ser planeada a Biblioteca do Conhecimento Online (b-on), infra-estrutura acessível a todas estas instituições e também às do Ensino Superior, que é uma imensurável mais-valia para a investigação académica e científica. No presente, possibilita o acesso ilimitado e permanente aos textos integrais de mais de 22.000 periódicos científicos internacionais e a 18.000 ebooks de 19 fornecedores de conteúdos.

Os resultados destas alterações podem ser monitorizados pela observação da evolução no tempo de alguns indicadores:

Evolução de alguns indicadores do SCTN
Ano Pessoal total de I&D (ETI)* Investigadores (ETI)* Ratio Inv./Pess. (%) Ratio I&D/PIB (%)
1988 10.883 6.561 60 0,39
1990 12.043 7.736 64 0,48
1992 13.448 9.451 70 0,58
1995 15.465 11.599 75 0,54
1999 20.806 15.752 76 0,71
2001 22.970 17.725 77 0,80
2003 25.529 20.242 79 0,74
2005 25.728 21.126 82 0,81
2007 35.334 28.176 80 1,21
2008 47.882 40.408 84 1,51
2009p 52.313 45.909 88 1,71

Fonte: GPEARI/MCTES, Novembro 2010.
ETI = Equivalente a Tempo Integral
p = provisório

A evolução caracteriza-se por um crescimento significativo dos recursos humanos e financeiros afectos à investigação científica. De 1988 para 2009, o pessoal total de I&D teve um factor de crescimento de 4.8, enquanto os investigadores tiveram um factor de crescimento ainda maior de 6.9. O ratio I&D/PIB atingiu em 2009 o valor de 1.71, enquanto que em 1988 era apenas 0.39%.

Outros indicadores reforçam a ideia do aumento de dimensão do SCTN: o número de novos doutorados por ano quintuplicou de 1990 para 2009 (de 337 para 1569) e o número de investigadores (ETI) em permilagem da população activa passou de 3.7 em 2003 para 8.2 em 2009. A produção científica nacional referenciada internacionalmente (na Web of Science – WoS, Science Citation Index – SCI) duplicou de 2004 para 2009 e se, em 2004, Portugal tinha 373 publicações por milhão de habitantes, em 2009 passou a ter 703 publicações (GPEARI, dados de 30 de Dezembro de 2010).

O rápido desenvolvimento científico e tecnológico do país continuava a ser, em 2006, uma prioridade nacional e os objectivos visavam a recuperação da distância que separava Portugal dos países desenvolvidos. De destaque, a assinatura no início de 2006 (correspondendo a uma 1ª fase) de três protocolos de colaboração entre o Governo Português e instituições norte-americanas de elevado prestígio internacional, visando promover a internacionalização efectiva das instituições de ensino superior portuguesas e reforçar a capacidade científica e de formação avançada em Portugal. Actualmente, no contexto destas parcerias internacionais, estão vigentes sete programas: MIT-Portugal Program, Lisbon MBA (Sloan School of Management), Carnegie Melon-Portugal Program, UT Austin-Portugal Program, Harvard Medical School-Portugal Program, University Technology Enterprise Network and Fraunhofer Portugal Research Association.

Muitos dos objectivos de então foram alcançados e o compromisso do governo actual (XVIII) em relação à ciência é hoje atingir os níveis de desenvolvimento científico de países europeus de dimensão equivalente à de Portugal. Destacam-se os seguintes objectivos:

  • Triplicar o número de patentes internacionais;
  • Criar condições para a duplicação da despesa privada em I&D;
  • Continuar a fazer crescer a despesa pública em I&D;
  • Aumentar ainda mais o número de investigadores;
  • Ampliar o esforço de formação de novos doutorados e a contratação competitiva de doutorados para as instituições científicas;
  • Reforçar o sistema de apoio fiscal à investigação e desenvolvimento nas empresas, com especial relevo para as despesas com a contratação de doutorandos pelas empresas;
  • Garantir a todos os investigadores doutorados e actuais bolseiros um regime de protecção social idêntico ao dos restantes trabalhadores;
  • Lançar um novo programa de infra-estruturas de investigação modernas que, entre muitos outros itens, integrará programas de formação de novas gerações de técnicos;
  • Desenvolver redes temáticas de investigação, designadamente no quadro das parcerias internacionais já desenvolvidas e de novas parcerias;
  • Continuar a dar prioridade à promoção da cultura científica e tecnológica.

Mulheres na Ciência

De acordo com a publicação “She Figures 2009. Statistics and Indicators on Gender Equality in Science”, editada pela Comissão Europeia, 60% dos doutorados em Portugal no ano 2006 eram mulheres (na EU–27 as mulheres doutoradas eram 45%). De 2002 a 2006, o número de mulheres doutoradas teve, em Portugal, uma taxa média de crescimento anual de 19.2 (comparativamente a 6.8 na EU-27) e vs 11.0 no nº de homens. No sector Ensino Superior, analisando por domínios científicos, no período de 2002 a 2006, o número de mulheres investigadoras cresceu sobretudo nas Engenharias e Tecnologias e nas Humanidades (respectivamente com tcma de 14.5 e 14.6). O estudo indica, igualmente, que as mulheres em Portugal em 2006 representavam 44% do universo de investigadores (na EU-27, 30%), aproximando-se da paridade.

Olhando para estes dados, verifica-se que Portugal se encontra numa posição favorável no seio da EU. Apesar de tudo, quando se analisa a representação de mulheres e de homens nas diferentes áreas científicas, encontram-se algumas assimetrias assim como também ao nível da progressão na carreira.

Financiamento

O principal agente financiador de I&D, em Portugal, é o Estado, que gere quer os fundos nacionais quer os fundos estruturais, atribuídos pela UE. O orçamento atribuído à Ciência, Tecnologia e Ensino Superior é distribuído em função das prioridades estratégicas e metas estabelecidas por cada Governo.

A Fundação para a Ciência e a Tecnologia tem como missão promover o desenvolvimento científico e tecnológico em Portugal, nomeadamente através de diversos tipos de financiamento destinados a instituições, equipas de investigação e indivíduos. A concessão de financiamentos tem por base a avaliação de mérito, feita através de concursos públicos. Adicionalmente, existem acordos de Cooperação ou outros que viabilizam diferentes formas de apoio, tais como acordos com universidades e instituições públicas e privadas).

A Agência de Inovação — AdI tem como objectivo promover a inovação e o desenvolvimento tecnológico facilitando e aprofundando as relações entre a investigação e as empresas. A AdI dispõe igualmente de vários programas e mecanismos de financiamento.

Refere-se ainda que existem Fundações Privadas que financiam a Investigação e o Desenvolvimento. É o caso da Fundação Calouste Gulbenkian.

Investigação premiada

O reconhecimento e o mérito dos investigadores Portugueses tem vindo a afirmar-se através do número crescente de publicações em revistas nacionais e internacionais e pela atribuição de prémios nacionais e estrangeiros.

Ligações relevantes

O futuro portal EURAXESS Portugal é operado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Questões sobre conteúdos devem ser dirigidas a euraxess@fct.mctes.pt. Quaisquer questões técnicas sobre o portal devem ser dirigidas a webmaster@fct.mctes.pt.


Última actualização: 20 de April 2011 15:39
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